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segunda-feira, 21 de março de 2011

PÊ, É POESIA! SARA!























SARA

Cortou-me o coração vê-la assim.
Rostinho abatido... para mim,
A culpa é da ferida que não sara.
Havia muita dor nos olhos teus,
E quando os vi fitando os olhos meus,
Julguei teu coração por tua cara.

A vida deve estar muito ruim,
Não tem cabeça, início, meio, fim,
Nublando tua feição tão bela e rara.
E em conversa com os botões meus,
Fiquei assim perdido: Santo Deus!
Querendo te abraçar e dizer: Sara!
Paulo Natalino Dian

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PÔ, É POESIA! Eu





















EU

Um dia alguém querendo uma história,
Que fosse além de qualquer pensamento,
Juntou, assim, de forma aleatória,
Num aparelho vários elementos.

Pegou um pouco dessa vida inglória,
Tristeza, angústia e muito sofrimento,
E tudo enfim que veio à memória,
Prá retratar, quem sabe, um sentimento.

Então ligou a máquina possante,
E transformou em pasta aquilo tudo,
Que sem conserva logo pereceu.

O que sequer pensou num só instante,
Talvez até por ser tão absurdo,
É que o produto tinha um nome: eu.
Paulo Natalino Dian (década de 80)


PÔ, É POESIA! Soneto dos Ensandecidos


















Em tempos de notória decadência
Não surpreende um jovem alienado
Atazanar a nossa paciência
Com coisas que o revelam tresloucado.

No entanto não se quer essa demência
Naqueles que no peito estão guardados
Dos quais se espera além das aparências
Todo um estilo são e equilibrado.


 
Porém eu observo amiúde,
Pessoas às quais devoto o maior dengo
Tomarem as mais estranhas atitudes

Torcerem por um time que é um monstrengo,
Desperdiçando a sua juventude
Correndo atrás do bonde do Flamengo.
Paulo Natalino Dian 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PÔ, É POESIA! Café com pão

















CAFÉ COM PÃO

Na sexta você era requeijão,
Engarrafada, branca e cremosa,
Aí a imaginei bem no meu pão,
Sendo ingerida de forma gostosa.

No sábado, no sol deste verão,
Você ficou morena e crocante,
Lembrava exatamente o próprio pão,
Com a casca assim, torrada e excitante.

Domingo, você veja como é:
Três dias sob o vento, o sol, no mar,
Tua pele escureceu. Não resisti.

Cheirosa e saborosa qual café,
Eu não me contentei somente olhar,
Botei você no copo e então... bebi.

Paulo Natalino Dian

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PÔ, É POESIA! Seu beijo

















SEU BEIJO

Na quinta tinha gosto de anis
Na sexta o gosto era natural
Não sei dos dois qual me fez mais feliz,
Mas acho que fiquei feliz igual.

Segunda fui buscar e ela não quis
Na terça fez até cara de mau
Na quarta me vi só e infeliz,
Na quinta fui parar no hospital.

Aí seu coração se comoveu
Segunda um doce beijo ela me deu,
Na terça deu-me um, depois mais um.

Por pouco não voltou a ser anis,
Mas o que importa mesmo é estar feliz,
Pois amo mais a ela do que eu.
Paulo Natalino Dian

(Você gostou? Então, deixe um comentário. Valeu!)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

PÔ, É POESIA! Soneto para Cris













SONETO PARA CRIS

Morena  e em  tudo graciosa,
Caminha pelas ruas mui feliz,
Alguém que ofusca o belo de uma rosa,
E que na intimidade chamo Cris.

Sua boca me instiga, e todo prosa,
Com lápis multicor ou mesmo giz,
Escrevo mil poemas pra dengosa,
Mais bela que a mais cobiçada atriz.

E agora que no ventre leva a vida,
E aguarda ansiosa o grande dia,
Que chegará o rebento, maior bem,

Eu penso em chamá-la de querida,
E festejar com muita alegria,
Num abraço só, nós dois, e o neném.

(Escrito a pedido de um amigo para homenagear a sua amada à época.) 
Paulo Natalino Dian

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

PÔ, É POESIA! Canção para Fred




















Você chegou
Bem de mansinho e depressa você conquistou
Cada pessoa da casa você alegrou
Com seu jeitinho moleque de se comportar
Você passou
A fazer parte da casa e com satisfação
Todos lhe chamam de neto, de filho, de irmão
E gastam parte do tempo pra lhe ver brincar

Você pra nós
É quase gente e a gente se viu entreter
Com suas caras e bocas e jeito de ser
Fred, Fred, Fred, Fred, Fred, Fred.

Paulo Natalino Dian

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PÔ, É POESIA! Luz e Sal (versão alternativa)










Luz e Sal

(versão alternativa)


Todo dia na sua porta alguém pede o que comer

E você diz nada tenho, não há nada o que fazer

Logo após chega um amigo e você não se amola

Ao contrário, bem depressa, pede pizza e coca-cola

E vão se empanturrar


No domingo, na igreja, você canta e diz amém,

Alegra-se e fala muito, mas nada faz por alguém

Pois só sabe é falar


É hora de sair da teoria

É hora de ser causa de alegria

É hora de ser luz e de ser sal


Porque é natal, é natal

É hora de mostrar que aprendeu

É natal, o natal

É mais do que dizer Jesus nasceu.

Paulo Natalino Dian & Adriano de O.Dian

Pô, É POESIA! Soneto da Saudade (para os meus amigos)











Soneto da Saudade

(Para os meus amigos)

Saudade é assim, você não vê,

Mas sabe que existe, porque sente,

O mal que ela produz ao corroer

O estômago e o coração carente.


Saudade é assim, só faz sofrer

Às vezes mais até do que se agüenta

E tem o dom cruel de entristecer

Aquele que a saudade experimenta.


Saudade é mesmo muito radical

Que chega, inibe, frustra, abate e cala

O louco que com ela se envolver


Saudade é algo sobrenatural

Que exige de você sem dó matá-la,

Pois do contrário vai matar você.

Paulo Natalino Dian