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sábado, 23 de julho de 2011

ESCREVENDO: Plano de Deus ou irresponsabilidade do homem?

 Dono de Porsche diz que acidente estava 'nos planos de Deus'


Com o choque da batida entre os veículos, o carro da vítima foi lançado contra um poste

O empresário Marcelo Malvio Alves de Lima, 36 anos, acusado de dirigir um Porsche a 150 km/h e matar a advogada Carolina Menezes Santos há duas semanas na zona sul de São Paulo, afirma que o acidente foi "uma fatalidade" e que não é bandido. Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, Lima disse que avalia se o acidente foi uma simples coincidência ou se as "coisas realmente têm que acontecer". "A mensagem que eu gostaria de passar é que tudo tem um porquê. A gente tem que aceitar. Aconteceu um acidente, ela faleceu, com certeza isso estava nos planos de Deus", disse à colunista.
"Eu trabalhei, eu ganhei dinheiro, eu compro o que eu quiser. Infelizmente aconteceu essa desgraça".



            Não tenho a menor intenção de tripudiar sobre a desgraça alheia. Até por que, ninguém está isento da possibilidade de envolver-se em um grave acidente automobilístico. Agora, dizer que a advogada faleceu porque, “com certeza isso estava nos planos de Deus" soa um tanto inadequado, para não dizer sarcástico. 

          Ora, partindo-se dessa premissa, então teríamos de admitir, também, que o Sr. Marcelo, que segundo a reportagem dirigia a 150 Km por hora, logo muito acima da velocidade permitida, o fazia porque esta era a vontade de Deus.

           Pior, todas as grandes tragédias causadas pelo homem ao longo da história deveriam ser atribuídas aos planos de Deus, sem qualquer responsabilidade do homem, esse coitadinho.

            Na verdade a argumentação é uma forma de fuga; de indisposição de assumir suas responsabilidades; de diante de Deus e dos homens dizer: Eu assumo. Eu errei.

         Assuma Sr. Marcelo: ao dirigir a 150 Km por hora, o senhor assumiu os riscos e, agora, assuma a culpa. Defenda-se na forma da lei, mas assuma. Afinal, se o senhor viesse a 80 Km por hora (provavelmente o limite de velocidade no local do acidente seja ainda menor), tudo indica que hoje a jovem advogada estaria viva.

            Mas ela morreu. Não pela vontade de Deus, mas porque teve o seu veículo jogado violentamente contrato um poste pelo senhor, que dirigia a 150 Km por hora.
Paulo Natalino Dian
           

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